As urnas eletrônicas foram o principal alvo de desinformação nos últimos processos eleitorais no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Projeto Confia, iniciativa ligada ao Pacto pela Democracia. O estudo mostra que mais de 45% dos conteúdos falsos compartilhados nas eleições de 2022 e 2024 questionavam o funcionamento do sistema eletrônico de votação.
Entre as notícias falsas mais recorrentes estavam alegações de atraso no botão “confirma” e mensagens afirmando, sem provas, que as urnas completariam automaticamente os números digitados pelos eleitores.
A pesquisa também identificou conteúdos direcionados ao Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, que representam 27,1% das publicações analisadas. Já teorias sobre fraudes na apuração dos votos corresponderam a 21,8%, enquanto desinformações sobre regras e logística eleitoral somaram 15,4%.
Segundo Helena Salvador, os conteúdos falsos utilizam explicações técnicas distorcidas para alimentar dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
De acordo com a pesquisadora, o fato de a população utilizar as urnas apenas durante as eleições facilita a propagação desse tipo de narrativa, já que muitos eleitores não conseguem verificar rapidamente as informações compartilhadas nas redes sociais.
O levantamento analisou mais de 3 mil conteúdos publicados nos últimos ciclos eleitorais. Desses, 716 passaram por análise aprofundada, sendo que 326 apresentavam ataques diretos às urnas eletrônicas.
A iniciativa busca compreender as origens da desconfiança no processo eleitoral e desenvolver estratégias para combater a desinformação nas eleições de 2026.
Pesquisa Quaest divulgada neste ano aponta que 53% dos brasileiros dizem confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, levantamento do Datafolha apresentado pelo Tribunal Superior Eleitoral indicava índice de confiança de 82%.



