Parlamentares da oposição se mobilizam para que o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria seja analisado já na primeira sessão do Congresso Nacional após o recesso parlamentar. A intenção é evitar que o tema se estenda ao longo do ano legislativo e garantir que a matéria esteja entre as primeiras votações de 2026.
Para que a apreciação ocorra, é necessária a convocação de uma sessão conjunta pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). O veto foi anunciado na quinta-feira (8), durante evento no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Apesar do simbolismo da data, a decisão já era esperada por integrantes da oposição.
O projeto aprovado pelo Congresso poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista. Para oposicionistas, o veto integral e a forma como foi comunicado — em cerimônia com ampla presença de aliados do governo — tiveram viés político e representaram uma tentativa de impor uma derrota simbólica ao Legislativo.
Líderes da oposição afirmam, nos bastidores, que o assunto vinha sendo discutido antes mesmo da formalização do veto, inclusive em conversas com Alcolumbre. A estratégia agora é pressionar a Mesa do Congresso para incluir a análise do veto na primeira sessão conjunta do ano, evitando o adiamento da pauta para o segundo semestre.
Até o momento, não há definição sobre a data da votação. A expectativa é de que o tema seja debatido na primeira reunião de líderes após o fim do recesso, com a retomada dos trabalhos legislativos prevista para 2 de fevereiro.



