O principal personagem da manobra que conduziu Roberto Cidade (União) ao Governo do Estado foi o ex-vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas). Se ele não tivesse renunciado ao cargo, nada disso teria acontecido. Os boatos sobre os motivos que o levaram a tomar essa decisão são variados, mas a maioria aponta para algo que não cheira bem.
Desde que voltou ao anonimato na política, Tadeu falou pouco. Ainda assim, apareceu sorridente ao lado de aliados em uma entrevista coletiva na sede do Governo, um dia depois do tumulto que sacudiu a política amazonense.
Nos bastidores, poucos acreditam que ele tenha se conformado em herdar as bases de Roberto Cidade para disputar uma vaga de deputado federal com o apoio da máquina. Há, inclusive, quem duvide que ele consiga viabilizar qualquer candidatura, até mesmo a deputado estadual.
O Barelândia ouviu integrantes dessa base política. “Se ele for candidato mesmo, vamos ter que negociar diferente do que fizemos com o outro. Ele vai ter que gastar”, afirmou um deles. O grupo demonstra interesse em retomar contato com Tadeu, já de olho em possíveis vantagens.
Tadeu nunca foi visto como protagonista por quem realmente entende de política. Os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga, por exemplo, sempre desdenharam da possibilidade de ele disputar o Governo. O ex-aliado David Almeida tem dito publicamente que ele “apequenou-se”. E aqueles que, até a semana passada, demonstravam proximidade, na expectativa de que ele pudesse assumir o comando do Estado, desapareceram de seu entorno político.
Tadeu perdeu aliados de longa data, comprometeu a construção de uma carreira política e viu sua imagem se desgastar. Ainda assim, mantém-se aparentemente feliz, possivelmente por motivos que não vieram a público.



