A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta internacional após um novo surto de ebola ser confirmado na República Democrática do Congo. A doença já provocou mais de 80 mortes e levantou preocupação em países vizinhos, como Uganda, onde também foram registrados casos.
O surto atual envolve a variante bundibugyo, considerada menos conhecida pelos especialistas e sem vacinas ou tratamentos específicos aprovados até o momento. Apesar do avanço da doença na região africana, infectologistas avaliam que o risco de disseminação global permanece baixo.
A infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que o alerta da OMS ocorre devido ao aumento do número de casos e à expansão geográfica do vírus. Segundo ela, a circulação da doença fora da área inicial de contágio acende um sinal de atenção para as autoridades sanitárias.
Mesmo assim, a especialista destaca que os protocolos internacionais de vigilância ajudam a conter a propagação da doença, permitindo o rastreamento de casos suspeitos e o monitoramento de contatos.
O ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue e secreções. Entre os sintomas estão febre, dores no corpo, fadiga, vômitos, diarreia e hemorragias em casos mais graves.
O infectologista David Salomão Lewi, do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que o vírus possui menor capacidade de disseminação em comparação com doenças respiratórias, como a Covid-19, já que não é transmitido pelo ar.
Especialistas afirmam que a possibilidade de o vírus chegar ao Brasil existe, mas é considerada baixa. O principal risco está associado ao deslocamento internacional de passageiros vindos de regiões afetadas.
Segundo Lewi, seria necessário que uma pessoa infectada viajasse já apresentando sintomas para que houvesse chance de transmissão. Por isso, o monitoramento em aeroportos e a identificação de viajantes são considerados fundamentais.
Os médicos também ressaltam que o Brasil possui estrutura para isolamento de casos suspeitos e adoção de medidas de controle dentro das unidades de saúde.
Apesar de a variante atual apresentar taxa de mortalidade inferior à registrada em surtos anteriores, o ebola segue sendo uma doença grave. Estimativas apontam que a cepa bundibugyo pode matar entre 30% e 40% dos infectados.
Sem tratamento específico aprovado para essa variante, os pacientes recebem cuidados de suporte clínico, como hidratação, controle dos sintomas e acompanhamento intensivo. O atendimento precoce é considerado essencial para aumentar as chances de sobrevivência.



