Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Miguel Hernández de Elche, na Espanha, indica que o uso descontrolado das redes sociais pode intensificar sintomas de depressão entre adolescentes, principalmente antes dos 16 anos. O estudo foi publicado em dezembro de 2025 na revista científica Scientific Reports.
A investigação analisou dados de 2.121 estudantes do ensino médio da Comunidade Valenciana. Os participantes responderam ao mesmo questionário em dois momentos, com intervalo de um ano, o que permitiu aos pesquisadores acompanhar possíveis mudanças na saúde mental relacionadas ao comportamento nas redes.
Os resultados apontam que o principal fator ligado ao aumento de sintomas depressivos não é apenas o tempo gasto nas plataformas, mas um padrão de uso marcado pela perda de controle e pela necessidade constante de permanecer conectado.
De acordo com o pesquisador Daniel Lloret-Irles, responsável pelo estudo, o risco surge quando o uso das redes passa a interferir na rotina e nas relações sociais dos jovens. Nesse cenário, adolescentes que apresentaram esse comportamento tiveram maior probabilidade de relatar sintomas depressivos mais intensos após um ano.
Os dados também indicam que a relação entre redes sociais e depressão varia ao longo da adolescência. Entre jovens de 13 anos, o uso mais frequente das plataformas esteve associado a níveis mais elevados de sintomas depressivos.
Com o avanço da idade, essa associação tende a diminuir. Por volta dos 16 anos, o aumento do uso das redes já não demonstrou relação significativa com o agravamento do quadro.
Segundo os pesquisadores, isso pode estar ligado ao desenvolvimento emocional dos adolescentes, já que habilidades como autocontrole e regulação emocional ainda estão em formação nos primeiros anos da adolescência.
O estudo também identificou diferenças entre os gêneros. Entre as meninas, ter maior número de seguidores nas redes sociais foi associado a níveis mais altos de sintomas depressivos. Entre os meninos, por outro lado, a relação foi considerada neutra ou levemente positiva.
Para a pesquisadora María Blanquer-Cortés, primeira autora do estudo, o resultado pode refletir pressões sociais e padrões estéticos que costumam afetar mais as meninas no ambiente digital.
Os autores também destacam que adolescentes emocionalmente mais vulneráveis tendem a sofrer impactos mais fortes do uso problemático das redes. Diante disso, os pesquisadores defendem a ampliação de ações de educação digital para orientar jovens sobre privacidade, exposição online e uso equilibrado da tecnologia.



