Uma vacina experimental contra o HIV baseada em tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) apresentou resultados promissores ao gerar respostas imunológicas robustas em testes com animais e humanos. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (30) na revista Science Translational Medicine.
Nos ensaios clínicos, 80% dos voluntários desenvolveram anticorpos neutralizantes após três doses da versão mais avançada da vacina, que utiliza a proteína do vírus ancorada à membrana celular. Essa abordagem imita com maior precisão a estrutura do HIV e evitou a produção de anticorpos ineficazes, problema comum em tentativas anteriores. Já a formulação tradicional, com proteína solúvel, teve resposta de apenas 4%.
A vacina foi bem tolerada pelos participantes, com efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação e casos isolados de urticária (6,5%). Não houve reações graves registradas.
O HIV é conhecido por sua alta capacidade de mutação, o que tem dificultado o desenvolvimento de vacinas eficazes. A tecnologia de mRNA, já utilizada em imunizantes contra a Covid-19, permite produção rápida e de menor custo, além de induzir uma resposta imunológica direcionada.
Segundo os cientistas, os resultados sugerem que a estratégia com trímero viral ancorado à membrana é uma plataforma promissora para o avanço dos estudos clínicos. Caso seja comprovada sua eficácia em larga escala, a vacina poderá representar um marco no combate global ao HIV, que ainda depende de terapias antirretrovirais para controle da doença.



