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Vermífugo comum apresenta potencial contra câncer cerebral em estudos iniciais

Uma revisão publicada em maio no British Journal of Clinical Pharmacology sugere que o mebendazol, medicamento amplamente usado no tratamento de verminoses intestinais, pode apresentar potencial no combate a tumores cerebrais.

O estudo analisou 22 pesquisas e foi conduzido por cientistas da Bond University, na Austrália. Os resultados indicam que a substância demonstrou efeitos promissores em experimentos laboratoriais e em animais, conseguindo retardar o crescimento de tumores em diferentes modelos.

Em testes com roedores, o medicamento chegou a dobrar a taxa de sobrevivência. Quando combinado com radioterapia, mais da metade dos animais apresentou ausência de tumores por períodos prolongados.

Entre os principais tipos de câncer cerebral estão o glioblastoma, o glioma difuso da linha média, o meduloblastoma e o meningioma. Mesmo com tratamentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a taxa média de sobrevida em cinco anos permanece em torno de 20%. No caso do glioblastoma, o tipo mais agressivo, a expectativa média de vida após o diagnóstico varia entre 12 e 16 meses.

Segundo os pesquisadores, o mebendazol atua por diferentes mecanismos nas células tumorais. Entre eles estão a interrupção da divisão celular, a inibição da formação de vasos sanguíneos que alimentam os tumores, o bloqueio de sinais de crescimento e a redução da capacidade de reparo do DNA das células cancerígenas.

O medicamento também pode potencializar os efeitos da quimioterapia e da radioterapia.

“O mais interessante é que ele parece agir em várias vias ao mesmo tempo, e não apenas em um único mecanismo”, afirmou o pesquisador Liam O’Callaghan, da Bond University.

Apesar dos resultados positivos em laboratório e em estudos com animais, os cientistas ressaltam que as evidências em humanos ainda são limitadas. Ensaios clínicos iniciais indicam que o uso em doses elevadas pode ser seguro, mas a eficácia contra tumores ainda não está comprovada de forma consistente.

Os autores reforçam que os dados atuais são promissores, porém ainda insuficientes para qualquer conclusão definitiva sobre o uso do medicamento como tratamento oncológico.

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