Startups dos Estados Unidos têm recorrido, nos últimos meses, a modelos de inteligência artificial chineses gratuitos e de código aberto como alternativa a soluções fechadas e mais caras, como GPT-5, da OpenAI, e Gemini, do Google. A tendência, destacada pela NBC News, revela uma mudança estratégica no setor de tecnologia, que busca reduzir custos, ampliar a flexibilidade e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.
Embora persistam preocupações sobre segurança e propriedade intelectual, os modelos chineses vêm conquistando espaço no Vale do Silício e influenciando o planejamento de diversas empresas.
Segundo o físico teórico e engenheiro de aprendizado de máquina Misha Laskin, muitos dos sistemas abertos desenvolvidos pela China já operam perto da “fronteira da tecnologia”, oferecendo desempenho comparável aos principais modelos norte-americanos. Laskin fundou a Reflection AI, avaliada em US$ 8 bilhões (R$ 43 bilhões), como alternativa aos modelos chineses e às plataformas fechadas.
Entre os destaques estão o DeepSeek R1 e o Alibaba Qwen, ambos gratuitos e com código aberto, permitindo que empresas os adaptem e executem em servidores próprios.
“Conseguimos fazer uma funcionalidade rodar com um modelo fechado, mas ele é caro e lento. Então pensamos: como fazer isso mais rápido e barato?”, afirmou Michael Fine, chefe de machine learning da Exa.
A opção por sistemas abertos não se deve apenas ao custo zero. Empreendedores apontam benefícios como:
maior controle sobre processamento e dados sensíveis;
redução de gastos operacionais;
possibilidade de customização profunda;
acesso ampliado a tutoriais e documentação;
integração rápida com aplicativos e ferramentas diversas.
Jerry Liu, fundador do aplicativo Dayflow, afirma que modelos como Qwen têm desempenho próximo ao GPT-5 em algumas tarefas e oferecem mais privacidade ao rodarem localmente. “Não quero enviar minha tela inteira para a nuvem de terceiros”, destacou.
Apesar do avanço da China, especialistas lembram que sistemas fechados dos EUA continuam superiores em produtividade e ecossistemas de ferramentas. “A usabilidade ainda favorece os modelos norte-americanos, especialmente quando a empresa busca conveniência e segurança”, afirma Tim Tully, da Menlo Ventures.
O crescimento do uso de modelos chineses gratuitos, porém, acendeu um alerta no governo dos EUA. Programas como o AI Action Plan e o Olmo 3, do Allen Institute, foram lançados para fortalecer o desenvolvimento de IA aberta nacional e mitigar a dependência tecnológica.



