O governo da Rússia confirmou, nesta quinta-feira (12), o bloqueio integral do WhatsApp em todo o território nacional. Segundo o Kremlin, a decisão foi tomada após a Meta, empresa responsável pelo aplicativo, descumprir a legislação russa.
De acordo com o porta-voz do governo, Dmitry Peskov, a medida foi implementada devido à recusa da companhia norte-americana em se adequar às normas locais. Ele sugeriu que os cidadãos passem a utilizar o Max, aplicativo de mensagens desenvolvido pelo governo russo.
“O Max é uma alternativa acessível, um serviço nacional em desenvolvimento, disponível no mercado para os cidadãos”, afirmou Peskov.
Críticos, no entanto, apontam que o novo aplicativo poderia funcionar como ferramenta de vigilância estatal, acusação negada pelas autoridades russas. Desenvolvido pela empresa de tecnologia VK, o Max não oferece criptografia total nas conversas, diferentemente do WhatsApp.
Na quarta-feira (11), o WhatsApp já havia denunciado, por meio da rede social X, uma tentativa do governo russo de “bloquear completamente” o serviço para forçar a população a migrar para um aplicativo de monitoramento estatal.
A restrição ocorre após um período de crescente pressão contra a Meta, que foi classificada como organização extremista na Rússia. A empresa declarou que a medida afeta mais de 100 milhões de usuários no país e representa um retrocesso na proteção da comunicação privada.
Com o bloqueio, domínios ligados ao WhatsApp foram retirados do registro nacional russo, impedindo que dispositivos no país recebam os endereços IP do aplicativo. O acesso ao serviço passou a ser possível apenas por meio de redes privadas virtuais (VPNs).
Além do WhatsApp, o Telegram também enfrenta sanções. Nesta semana, a agência reguladora Roskomnadzor reduziu a velocidade do aplicativo, alegando descumprimento da legislação russa. A Anistia Internacional classificou a decisão como ato de censura, posicionamento reforçado pelo fundador do Telegram, Pavel Durov.
No ano passado, o governo russo já havia proibido chamadas de áudio e vídeo pelo WhatsApp e Telegram, ampliando as restrições sobre plataformas estrangeiras no país.



