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Estudo aponta ligação inédita entre mutações genéticas e Alzheimer

Pesquisadores identificaram uma possível conexão entre alterações genéticas associadas a cânceres do sangue e mecanismos relacionados ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. A descoberta foi publicada na quinta-feira (11) na revista científica Cell e amplia o entendimento sobre o papel da inflamação cerebral na progressão da doença neurodegenerativa.

O estudo, conduzido por cientistas dos Estados Unidos, analisou amostras de tecido cerebral para investigar o comportamento das células de defesa em pessoas diagnosticadas com Alzheimer. Os resultados não indicam que o câncer provoque a doença, mas sugerem que determinadas mutações genéticas, comuns em alguns tipos de câncer hematológico, também podem influenciar processos inflamatórios no cérebro.

Para a pesquisa, os cientistas examinaram 311 amostras cerebrais utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético. A análise focou em 149 genes frequentemente associados ao câncer e à hematopoiese clonal, fenômeno relacionado ao envelhecimento em que células sanguíneas acumulam mutações e passam a se multiplicar de forma mais intensa.

Os pesquisadores observaram que cérebros de pacientes com Alzheimer apresentavam maior quantidade de mutações adquiridas ao longo da vida. Entre os genes mais frequentemente alterados estavam TET2, DNMT3A e ASXL1, conhecidos por sua relação com cânceres do sangue e com processos de envelhecimento celular.

Um dos principais achados envolve as micróglias, células responsáveis pela defesa do cérebro. Essas estruturas atuam na eliminação de resíduos e na proteção do sistema nervoso, mas, em casos de Alzheimer, podem permanecer ativadas por longos períodos, favorecendo processos inflamatórios que contribuem para a degeneração dos neurônios.

Durante o estudo, os cientistas identificaram que parte das mutações encontradas em células imunes do cérebro também estava presente em amostras de sangue dos mesmos indivíduos. A descoberta sugere que células de defesa originadas na corrente sanguínea podem migrar para o cérebro e participar da resposta inflamatória associada à doença.

Segundo os autores, as células portadoras dessas mutações apresentaram maior atividade inflamatória e capacidade de multiplicação quando comparadas às células sem alterações genéticas.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete a memória e outras funções cognitivas. Considerada a forma mais comum de demência em idosos, a condição representa mais da metade dos casos registrados no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Apesar da relevância da descoberta, os pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova uma relação direta de causa e efeito entre as mutações genéticas e o avanço do Alzheimer. Novas investigações serão necessárias para confirmar se essas alterações realmente aceleram a progressão da doença.

A pesquisa abre uma nova linha de investigação sobre a influência do envelhecimento das células sanguíneas nos processos inflamatórios cerebrais, o que poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras estratégias de prevenção e tratamento.

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