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Ação acadêmica transforma trânsito de Manaus em espaço de incentivo à leitura

Projeto social idealizado por estudantes de Jornalismo da Faculdade Boas Novas levou literatura diretamente a motoristas e passageiros em uma das avenidas mais movimentadas da capital amazonense.

Em uma cidade marcada pela correria diária e pelo trânsito intenso, uma cena inusitada chamou a atenção de centenas de motoristas, motociclistas, passageiros de ônibus e pedestres na manhã desta quinta-feira, 18, na Avenida Rodrigo Otávio, em frente ao Complexo Canaã, zona Sul de Manaus. No lugar dos tradicionais anúncios comerciais distribuídos nos semáforos, universitários entregavam livros gratuitamente em uma intervenção urbana que transformou a rotina acelerada da capital amazonense em um convite inesperado à leitura e à reflexão.

A iniciativa faz parte do projeto “Sinalizando Conhecimento”, ação social idealizada e executada pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo da Faculdade Boas Novas, dentro das atividades práticas da disciplina Assessoria de Imprensa e Práticas de Planejamento de Comunicação. O projeto foi coordenado pela professora Liliana Rodrigues e buscou unir educação, cidadania e responsabilidade social por meio de uma intervenção simples, mas carregada de significado: colocar livros diretamente nas mãos da população em um dos pontos mais movimentados da cidade.

A proposta rompeu com a lógica comum do ambiente urbano. Durante o sinal vermelho, os estudantes se aproximavam dos veículos e passageiros não para entregar publicidade, mas para oferecer acesso gratuito ao conhecimento. A ação simbolizou uma pausa necessária em meio ao estresse cotidiano, propondo uma experiência de contato com a literatura em um espaço tradicionalmente associado à pressa, ao barulho e à tensão do trânsito.

Segundo a coordenadora do projeto, professora Liliana Rodrigues, a atividade nasce da compreensão de que o conhecimento precisa ultrapassar os limites da sala de aula e alcançar a sociedade de forma prática e transformadora.

“Nosso objetivo foi mostrar que a educação pode ocupar qualquer espaço social, inclusive lugares improváveis como um semáforo no meio de uma avenida movimentada. Mais do que distribuir livros, buscamos despertar nas pessoas a consciência sobre o poder transformador da leitura e reforçar que a universidade deve estar permanentemente conectada às necessidades da comunidade”, destacou a professora.

A ação também dialoga com uma preocupação social importante: os baixos índices de leitura no Brasil e os impactos da rotina acelerada sobre a saúde mental da população. Ao propor um encontro inesperado entre literatura e trânsito, os acadêmicos criaram um momento simbólico de desaceleração, convidando a população a enxergar a leitura como ferramenta de bem-estar, desenvolvimento pessoal e construção cidadã.

Para o acadêmico Pedro Higor, um dos responsáveis pela coordenação operacional da atividade, o projeto representa o papel social que o jornalismo e a universidade devem exercer junto à sociedade.

“Nós entendemos que comunicar vai muito além de transmitir informação. Como futuros jornalistas, precisamos pensar em como gerar impacto positivo na vida das pessoas. Levar livros para o trânsito foi justamente uma maneira criativa de aproximar conhecimento de quem muitas vezes não tem acesso fácil a ele no cotidiano”, afirmou.

A estudante Rayciane Costa, também integrante da equipe responsável pela organização, destacou o impacto humano percebido nas reações espontâneas da população durante a intervenção.

“Foi emocionante perceber a surpresa das pessoas. Muitos motoristas abaixavam o vidro sem entender o que estava acontecendo e ficavam visivelmente tocados quando percebiam que estávamos entregando livros gratuitamente. Isso mostra que pequenas ações podem gerar grandes reflexões e criar conexões muito profundas com a comunidade”, relatou.

Além do caráter educativo, o projeto reforça o compromisso da Faculdade Boas Novas com a formação acadêmica voltada para a prática cidadã e para a extensão universitária como instrumento de transformação social. Ao colocar os estudantes em contato direto com demandas reais da comunidade, a instituição fortalece uma formação profissional comprometida não apenas com a excelência técnica, mas também com responsabilidade social, sensibilidade humana e impacto coletivo.

A cobertura da ação teve como principal destaque justamente o contraste entre a intensidade do trânsito urbano e a delicadeza do gesto de oferecer literatura em meio à rotina acelerada da cidade. Entre buzinas, sinais e a movimentação constante de ônibus, carros e motocicletas, os livros se tornaram símbolo de pausa, reflexão e acesso democrático ao conhecimento.

Com informações da assessoria

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