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Tecnologia no Brasil ajuda a identificar risco de infarto de forma precoce

Uma nova tecnologia já em uso no Brasil pode ajudar médicos a identificar pacientes com maior risco de infarto antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. O sistema analisa a composição de placas de gordura nas artérias coronárias e aponta aquelas com maior potencial de provocar eventos cardiovasculares.

A ferramenta, chamada Makoto, é utilizada durante o cateterismo cardíaco e permite uma avaliação mais detalhada do interior das artérias. O objetivo é identificar placas com maior concentração de lipídios, consideradas mais instáveis e associadas a maior risco de infarto.

Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio está entre as principais causas de morte no país, com estimativa de 300 mil a 400 mil casos por ano.

Análise em tempo real durante o cateterismo

Integrado ao exame de cateterismo, o sistema gera em poucos segundos um mapa colorido das artérias, destacando áreas com maior acúmulo de gordura. Além disso, calcula automaticamente um índice que quantifica a presença de lipídios, auxiliando na tomada de decisão médica.

Para o cardiologista intervencionista Hideo Kajita, pesquisador do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI), do Hospital São Paulo (Unifesp) e do InCor da USP, a tecnologia contribui para identificar pacientes que precisam de controle mais rigoroso dos fatores de risco.

Ele explica que, ao detectar placas vulneráveis, é possível intensificar estratégias preventivas, como controle do colesterol, da pressão arterial e do diabetes, além de ajustes em medicamentos e mudanças no estilo de vida.

Risco nem sempre aparece em exames tradicionais

Kajita destaca que nem sempre os infartos estão associados a artérias com obstruções significativas. Em muitos casos, os eventos ocorrem em placas que não seriam consideradas críticas em exames convencionais.

Por isso, a análise da composição dessas placas pode ajudar a antecipar riscos antes do aparecimento de sintomas.

Indicações e cuidados

O método pode ser indicado para pacientes com suspeita ou diagnóstico de doença arterial coronariana, histórico familiar de infarto, múltiplos fatores de risco ou pessoas que já sofreram eventos cardíacos e necessitam de avaliação mais aprofundada.

Apesar do avanço tecnológico, especialistas reforçam que o exame não substitui hábitos saudáveis nem o acompanhamento médico regular.

Sinais de infarto

Entre os principais sintomas estão dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braços, costas ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náuseas e tontura. Em mulheres e pessoas com diabetes, os sinais podem ser menos evidentes, exigindo atenção redobrada e busca imediata por atendimento médico.

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