O nível do Rio Negro, em Manaus, pode se aproximar dos piores registros de seca já observados na capital amazonense durante o ciclo de vazante de 2026, segundo projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O órgão alerta para a possibilidade de estiagem severa caso padrões climáticos semelhantes aos de anos críticos recentes se repitam na região amazônica.
De acordo com dados do Porto de Manaus, o rio registrou 28,50 metros em 30 de junho de 2026, em condição de estabilidade, com leve recuo de 1 centímetro no período recente.
Com base em séries históricas entre 1903 e 2025, o SGB elaborou cenários estatísticos que estimam que o Rio Negro pode atingir cotas mínimas entre 17,42 metros (cenário de descida mediana) e até 12,90 metros, em caso de repetição de condições extremas já registradas historicamente.
O órgão também considera cenários críticos semelhantes ao de 2015 e ao percentil de estiagem severa, que apontam quedas mais acentuadas no nível das águas.
Para o ciclo hidrológico de 2026, o SGB informou que passa a incorporar novos sistemas de monitoramento, incluindo boletins semanais SARDIM, em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de modelos preditivos baseados em inteligência artificial desenvolvidos em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo o órgão, a integração dessas ferramentas deve aprimorar a precisão das previsões e agilizar a divulgação de informações.
O monitoramento indica que a bacia do Rio Amazonas encontra-se em fase de transição, com o fim do pico de cheia em áreas centrais e início da recessão em cabeceiras.
No sistema Solimões/Amazonas, a estação de Tabatinga já registra queda gradual, embora ainda haja pontos em nível de alerta ao longo do curso do rio. Já os rios Rio Negro e Rio Branco apresentam comportamento distinto, com estabilização em Manaus e influência de chuvas recentes que desaceleraram a vazante em algumas regiões.
Os rios Madeira e Acre seguem como áreas de maior vulnerabilidade, após registrarem cheias intensas no primeiro trimestre de 2026, que levaram a decretos de emergência em municípios como Porto Velho.
Segundo o SGB, o padrão inicial da vazante de 2026 apresenta semelhanças com o observado em 2023, quando Manaus enfrentou uma das secas mais severas de sua história recente, com o rio atingindo 12,70 metros. Apesar disso, o órgão ressalta que ainda não há confirmação de repetição da mesma intensidade, reforçando que o cenário segue em monitoramento contínuo.
Risco depende do regime de chuvas
A evolução do nível do Rio Negro nos próximos meses dependerá diretamente do comportamento das chuvas na região. Caso haja atraso no início do período chuvoso, especialistas alertam para risco de prolongamento da vazante, com possíveis impactos na navegação, no abastecimento de comunidades ribeirinhas e no aumento de queimadas na Amazônia.



