O Portal Barelândia recebeu, na manhã desta sexta-feira (26), uma denúncia de que pastores da Assembleia de Deus no Amazonas estariam sendo afastados de suas funções em decorrência da suposta falta de apoio político ao deputado federal Silas Câmara. As acusações, feitas por membros da igreja, apontam para uma série de mudanças em diferentes áreas da capital que, segundo os denunciantes, teriam motivação política.
Um dos casos envolve o afastamento do pastor Silva da Área 47, cuja saída provocou forte repercussão entre fiéis. Em mensagens divulgadas nas redes sociais, membros da congregação acusam a liderança da denominação de promover perseguição interna e de utilizar empresários da igreja como justificativa para retirar o pastor do cargo.
Em um dos relatos, a esposa de um empresário afirma que a família foi “usada” como justificativa para a mudança. Segundo ela, o marido apenas teria defendido a família e a empresa diante da situação, o que teria desencadeado represálias. “Fomos usados como desculpa para a retirada do nosso pastor da nossa área”, diz a mensagem compartilhada.
Ainda de acordo com os denunciantes, o afastamento do pastor Silva faz parte de uma sequência de substituições de líderes religiosos que não teriam demonstrado apoio político ao parlamentar. Até o momento, entretanto, não foram apresentados documentos que comprovem a relação entre as mudanças e o suposto alinhamento político.
A última reunião com o pastor ocorreu na presença de representantes de quatro núcleos da Zona Norte de Manaus. Durante o encontro, marcado por forte emoção, o líder religioso, responsável também pela congregação do bairro São Raimundo, despediu-se dos fiéis.
Outra mensagem que passou a circular entre os membros da igreja cita o episódio bíblico de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego para defender que “a obediência ao homem tem limites; a obediência a Deus não”, em uma referência às decisões da liderança da denominação.
As denúncias também reacendem um debate sobre os limites da relação entre religião e política. Se confirmadas, as alegações levantam o questionamento sobre até que ponto a fé e a estrutura de uma instituição religiosa podem ser utilizadas para influenciar posicionamentos político-partidários ou até mesmo justificar o afastamento de líderes religiosos por divergências eleitorais. O caso suscita discussões sobre a autonomia das igrejas, a liberdade de consciência dos pastores e fiéis e os limites da utilização da influência religiosa em questões políticas.
As denúncias reforçam a insatisfação de parte dos fiéis, que alegam falta de transparência nos afastamentos e apontam possível interferência política nas decisões administrativas da igreja.
O Portal Barelândia procurará a liderança da Assembleia de Deus no Amazonas e o deputado federal Silas Câmara para que se manifestem sobre as denúncias. O espaço permanece aberto para o contraditório e eventuais esclarecimentos.
O Portal Barelândia informa que continua recebendo vídeos, relatos e outros materiais relacionados às denúncias envolvendo os supostos afastamentos de pastores na Assembleia de Deus no Amazonas. O conteúdo será analisado pela reportagem e poderá ser divulgado em matérias posteriores, à medida que novas informações forem apuradas e verificadas.
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