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Padrasto confessa envenenamento de enteado com bolinhos de mandioca em SP

Admilson Ferreira dos Santos, padrasto de Lucas da Silva Santos, de 19 anos, confessou à polícia ter envenenado os bolinhos de mandioca que causaram a morte do jovem no último dia 11 de julho, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Preso na última quarta-feira (16), ele afirmou que misturou chumbinho, veneno proibido no Brasil , a um pote de creme de leite usado na preparação do alimento.

Segundo o depoimento, Admilson disse que sua intenção era tirar a própria vida e chegou a consumir parte do bolinho envenenado. Ao sentir irritação na boca, decidiu oferecer o alimento à esposa e aos enteados. “Dei um pouco para o Lucas, um pouco para o Thiago e um pouco para ela. Todos os quatro comeram”, relatou à polícia.

Ainda de acordo com a investigação, o veneno foi comprado com a ajuda da própria esposa, que atendeu a um pedido de Admilson para adquirir o chumbinho em um comércio na cidade vizinha de Diadema. O vendedor do produto foi preso na semana passada e confessou vender o raticida, mas acabou liberado após audiência de custódia.

A delegada responsável pelo caso, Liliane Doretto, afirmou que o inquérito de homicídio conta com três qualificadoras: motivo torpe, uso de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima. O motivo torpe seria o controle e o ciúme que Admilson demonstrava em relação ao enteado, que desejava sair de casa. A forma como o crime foi cometido com veneno misturado à comida, caracterizou uma execução traiçoeira, sem chance de defesa para as vítimas.

Durante as investigações, dois irmãos de Lucas relataram ter sido vítimas de abuso sexual cometido por Admilson quando ainda eram crianças. Os abusos teriam ocorrido entre os 4 e 9 anos de idade. Segundo a polícia, não havia denúncias anteriores porque o padrasto mantinha controle emocional sobre as vítimas.

Inicialmente, a tia de Lucas, Cláudia Pereira dos Santos, irmã de Admilson, chegou a ser apontada como suspeita, já que havia enviado os bolinhos à casa da família. Em depoimento, ela explicou que atendeu a um pedido do irmão e preparou os alimentos por hobby, como costuma fazer. A entrega foi feita por sua filha, de 9 anos. Cláudia negou qualquer envolvimento no envenenamento.

Lucas passou mal cerca de 30 minutos após ingerir os bolinhos. Para a polícia, as provas indicam que o crime foi premeditado. Mensagens trocadas por Admilson revelam o incômodo dele com a intenção de Lucas de sair de casa, o que reforça a hipótese de um crime passional. A investigação segue em andamento.

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