A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou contornar restrições do Supremo Tribunal Federal (STF) ao compartilhar conteúdos sobre a manifestação de 3 de agosto e as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens foram enviadas em série pelo WhatsApp, muitas vezes usando redes sociais de terceiros para burlar a proibição de retransmissão.
No dia do ato pró-Bolsonaro em São Paulo, mais de 300 arquivos foram compartilhados pelo ex-presidente, incluindo notícias sobre impactos econômicos das sanções, convocações a apoiadores, vídeos de Donald Trump e declarações de autoridades pedindo a libertação de Bolsonaro.
A PF indiciou Bolsonaro e o filho Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, no âmbito da Ação Penal nº 2668, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023.
O relatório também aponta que Bolsonaro omitiu informações em depoimento no Inquérito nº 4.995, deixando de mencionar transferências financeiras ao filho e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Entre as operações, há repasses de R$ 2 milhões realizados em datas próximas ao interrogatório do ex-presidente, sugerindo, segundo a PF, uma tentativa de reduzir riscos de bloqueio judicial.
Além disso, a investigação detalha que Bolsonaro participou de uma ligação breve com o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) durante um ato em Salvador, e que o conteúdo dessa conversa foi posteriormente compartilhado por terceiros, numa tentativa de driblar restrições judiciais.



