A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que apura um esquema de fraudes contábeis nas Lojas Americanas estimado em R$ 54 bilhões. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo diligências pessoais.
Entre os investigados estão o empresário Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Americanas, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da varejista. A operação também atinge executivos de instituições financeiras como Itaú, Bradesco e Santander, além do ex-CEO da companhia, Sérgio Rial.
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. As investigações apontam, em tese, indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam conhecimento de irregularidades contábeis praticadas ao longo de anos na empresa. O esquema envolveria operações de risco sacado — em que bancos antecipam pagamentos a fornecedores — e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), supostamente utilizados sem respaldo econômico adequado.
As apurações indicam que essas operações teriam sido registradas de forma irregular para ocultar o real nível de endividamento da companhia.
A crise da Americanas veio a público em janeiro de 2023, quando a empresa entrou em recuperação judicial após revelar inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. O valor foi posteriormente revisado para R$ 54 bilhões ao longo das investigações. A primeira fase da Operação Disclosure já havia resultado em indiciamentos de ex-executivos da varejista.
Os nove alvos desta etapa incluem executivos e ex-executivos ligados à empresa e a instituições financeiras envolvidas nas operações sob apuração.



