Os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira (22), sua retirada da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A decisão, segundo o governo norte-americano, foi motivada por divergências ideológicas e pela avaliação de que a permanência na agência não atende aos interesses nacionais do país.
“A UNESCO promove causas sociais e culturais conflitantes e prioriza de forma desproporcional os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que representam uma agenda globalista e ideológica, incompatível com a nossa política de ‘América em Primeiro Lugar’”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em comunicado oficial.
A saída representa um revés para a organização com sede em Paris, criada em 1945 com a missão de promover a paz por meio da cooperação internacional nas áreas de educação, ciência e cultura. A UNESCO é amplamente reconhecida pela designação de locais de Patrimônio Mundial, como o Grand Canyon (EUA) e a cidade histórica de Palmira (Síria).
A decisão ocorre no contexto do retorno de Donald Trump à presidência. Em seu primeiro mandato, Trump já havia se afastado de diversos organismos internacionais, incluindo a própria UNESCO, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Acordo de Paris sobre o clima e o pacto nuclear com o Irã.
Além da nova saída da UNESCO, a atual administração já anunciou a desfiliação da OMS e a suspensão do financiamento à UNRWA (Agência da ONU para Refugiados Palestinos), como parte de uma revisão da participação dos EUA em órgãos das Nações Unidas, com conclusão prevista para agosto.
Os Estados Unidos têm um histórico conturbado com a UNESCO. Após aderirem à agência em sua fundação, em 1945, se retiraram pela primeira vez em 1984, sob alegações de má gestão e viés antiamericano. O país só retornou em 2003, durante o governo de George W. Bush, após reformas internas na entidade. Atualmente, os EUA respondem por cerca de 8% do orçamento da UNESCO, bem abaixo dos 20% que financiavam antes da retirada anterior promovida por Trump.



