A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve julgar nesta quarta-feira (13) o recurso apresentado pela Química Amparo Ltda., fabricante da marca Ypê, contra a suspensão de 23 produtos de lotes identificados com final 1. Entre os itens atingidos pela medida estão detergentes, desinfetantes e lava-roupas.
A suspensão foi determinada após uma inspeção sanitária realizada entre os dias 27 e 30 de abril, dentro de um procedimento iniciado em outubro de 2025. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (7).
O recurso será analisado pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, relator do caso. Na terça-feira (12), representantes da empresa entregaram à agência um relatório com medidas adotadas para corrigir irregularidades apontadas durante a fiscalização. Segundo a Anvisa, foram implementadas 239 ações corretivas, que servirão de base para a avaliação do pedido.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais e gerou debate político após a divulgação de suspeitas de risco de contaminação por uma superbactéria em produtos da marca. Internautas ligados à direita criticaram a decisão da agência reguladora e passaram a publicar vídeos utilizando produtos Ypê em apoio à empresa.
Entre os políticos que se manifestaram está o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, que divulgou vídeo incentivando consumidores a comprarem produtos da marca e criticando a atuação da Anvisa.
A reação provocou respostas de parlamentares de esquerda. A deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público e a Secretaria Nacional do Consumidor para pedir investigação sobre a conduta do político.
A vereadora paulistana Amanda Paschoal também criticou a mobilização em defesa da empresa, afirmando que parte dos apoiadores estaria minimizando os riscos apontados pela fiscalização sanitária.



