A startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek concluiu uma rodada de captação de US$ 7,4 bilhões, considerada a maior já registrada em um financiamento inicial no país. Com o aporte, a empresa sediada em Hangzhou passa a ser avaliada em mais de US$ 50 bilhões, em um movimento que reforça a expansão acelerada do setor de IA na China.
Segundo dados do Índice Global de Unicórnios Hurun 2026, o país asiático abriga atualmente 381 unicórnios e registra a criação de uma nova empresa avaliada em mais de US$ 1 bilhão, em média, a cada cinco dias.
De acordo com informações do The Information, a DeepSeek operou por três anos exclusivamente com recursos do fundador Liang Wenfeng, sem investimentos externos. A decisão de buscar capital teria sido motivada pela intensificação da concorrência no setor, especialmente após a divulgação preliminar de modelos avançados por empresas como a Anthropic. A avaliação interna foi de que o desenvolvimento de sistemas de mesma escala exigiria maior capacidade computacional e volume de dados.
A operação foi estruturada como uma parceria controlada pelo próprio fundador e inclui um período de bloqueio de cinco anos, mecanismo que mantém Liang no comando da companhia.
O movimento ocorre em meio à crescente pressão tecnológica entre Estados Unidos e China, marcada por restrições à exportação de tecnologias avançadas. Analistas apontam que tais medidas acabaram estimulando empresas chinesas a ampliar captações e investimentos em inteligência artificial.
O avanço não se restringe à DeepSeek. O relatório Hurun indica que a China adicionou 38 novos unicórnios em um ano e mantém a ByteDance entre as três startups mais valiosas do mundo, com ritmo de criação de empresas desse porte em aceleração.
Outro destaque é o setor de robótica humanoide, que também atrai grandes aportes. Segundo a Bloomberg, as empresas AI² Robotics e X Square Robot alcançaram status de unicórnio nesta semana, somando avaliação superior a US$ 2,9 bilhões. Juntas, já captaram bilhões de yuans em 2026, superando o volume total registrado no ano anterior.
Os dados reforçam a percepção de que, apesar das restrições impostas por Washington, o ecossistema chinês de tecnologia segue em rápida expansão, com forte entrada de capital em áreas estratégicas como inteligência artificial e robótica.



